Um ano atrás faleceu meu tio Nico. O tio Nico era o cara que se fantasiava de Papai Noel todo 24 de dezembro. Depois que os primos começaram a crescer minha avó colocava o saco vermelho na frente da porta e tocava a campainha. Todos gritavam "Helena, vai atender!". Eu era a caçulinha da família. Por volta dos 10 anos eu não aguentava mais aquela pressão de ser o centro das atenções e me escondi no banheiro quando bateram na porta. Nunca mais teve saco vermelho. Um ano atrás meu avô faleceu. Quando eu ia dormir após o natal com a minha mãe no sofá-cama do quarto da televisão ele sempre queria me ajudar a montar tudo. Eu dizia que ele era muito velho pra fazer força. Ele dizia que eu era muito nova pra ter força. Um ano atrás o Marião passou por tudo aquilo, e todo muito passou por tudo aquilo, e eu não refleti sobre nada. Eu dormi natal passado, eu não tinha força alguma.
Sábado ganhei um chocolate de um amigo gente boa do Edinho. Antes de eu ir dormir trombei o Paulo de Tharso e conversamos bastante. Mexi na bolsa por algum motivo e alguém viu o chocolate e eu disse "é pro fim da noite", daí o Paulo riu, falou da constante glicose e abriu o pacote. O chocolate caiu no chão que nem um cocozinho, todo esfarelado. Eu gritei: "ninguém viu, ninguém viu". O Paulo de Tharso deu risada.
Meu pai é médico e sempre disse que eu podia comer qualquer coisa que caísse no chão. Ele que me ensinou meu gostos bizarros. Saí com minha mãe e meu sobrinho minha irmã e meu cunhado pós eleição pra almoçarmos. Fui preparar meu prato e uma velhinha olhou pra ele e disse: "Gosto excêntrico, não"?
(E pode ser história antiga a gente, mas visualizar nada pro futuro é ruim demais - que você é constantemente presente).
(final de 2010)
0 comentários:
Postar um comentário